PRIMEIRO PASSO: COMO ME DISTINGUIR DOS OUTROS?

Este artigo é segundo de uma série. Você pode, sim, lê-lo agora, pulando o anterior. Se, no entanto, quiser ler na ordem que postei e ter uma visão mais aprofundada, encontrará o início desta jornada clicando aqui.

 

Quantas vezes nós já não escutamos que somos todos seres únicos? Que não existem duas pessoas iguais? Imagino que você concorde com isso. Eu concordo. Concordo que, uma vez que todos temos histórias, encontros e percepções únicas na vida, não há como sermos iguais a ninguém.

Podemos, sim, nos relacionar com pessoas com as quais descobrimos inúmeras afinidades. Pessoas que possuem valores, gostos e vontades compatíveis com as nossas. Ainda assim, sempre seremos diferentes. Sempre traremos, conosco, algo único, só nosso.

E esse algo, para mim, não é um talento. Não é, necessariamente, algo que fazemos. É algo que está além disso – ou por detrás, por debaixo. Algo que serve de base para a manifestação dos nossos pontos fortes, nossos dons. É aquele toque que permeia tudo o que realizamos. Aquele fio invisível que conecta todos os pontos. Que está em tudo, em todos os lugares onde nos colocamos de verdade.

… É a essência. A nossa essência.

Gosto dessa metáfora de fio invisível, aliás, porque ela expõe a sutileza desse nosso contato com a essência. Eu logo imagino, pensando nisso, a vida como um gigantesco labirinto e a essência como o nosso fio de Ariadne (o fio que nos permitirá encontrar um caminho, uma saída desta enigmática construção). O fio, portanto, é um tesouro valiosíssimo. Ele é crucial para empreendermos a nossa jornada com mais consciência. É o fio que nos permite desfrutar das paisagens encontradas pelo caminho escolhido, ao invés de sermos obrigados a sair correndo por aí, de maneira apressada, batendo a cabeça, girando em falso, caindo em becos sem saída.

… Só que, ao mesmo tempo, esse fio é invisível. Ou seja: ele está sempre presente, em todos os nossos passos – só que nós não o vemos.

E, se não o vemos, como podemos saber que ele está mesmo lá? Como podemos saber que ele existe, de fato?

 

Há mais coisas entre o céu e a terra…

Para descobrir esse fio – a essência – creio que não adianta buscarmos as nossas respostas, apenas, nas explicações lógicas. Não adianta querermos somente comprovações científicas, racionais. Não adianta, enfim, tentar de todas as formas tornar esse fio visível. Isso seria um gasto desnecessário e infrutífero.

Uma das nossas grandes dificuldades, hoje em dia, envolve (na minha opinião), justamente, o uso exacerbado das funções racionais. Valorizamos tanto as demonstrações de competência analítica, que muitas vezes nos fechamos para todas as outras possibilidades de manifestações inteligentes.

Aintelmultipla teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (um psicólogo estadunidense), fala um pouco sobre isso. Ele elencou nove tipos de inteligências, que extrapolam aquela ideia de que ainteligência pode ser medida por um teste (de QI). De acordo com essa linha de pensamento, tais testes servem para medir aptidões lógico-matemáticas e linguísticas, sim. Contudo, há muito mais por aí: ainda temos, pelo menos, outros sete tipos de inteligência para serem consideradas (espacial, musical, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, naturalista e existencial).

… Ou seja: isso nos mostra que a razão não é a única ferramenta disponível para avançar no labirinto da vida.

Se nos apegamos ao visível é fácil descartarmos tudo o que é invisível. É fácil assumir isso como besteira, como loucura.

Aliás, falando em loucura…

 

O Tarô e seus Símbolos

Uma das ferramentas de autoconhecimento que eu mais gosto de utilizar (ao lado da Astrologia – e da Árvore da Vida) é o Tarô. O Tarô que pode ser usado, sim, para fins oraculares – ajudando-nos na leitura das energias que estão presentes, hoje, e das que serão desencadeadas (no futuro), caso mantenhamos a mesma linha de ação.

Entretanto, para mim, a leitura da sorte não é o uso mais poderoso dessa ferramenta. Afinal, dentro do Tarô nós encontramos um trabalho belíssimo de simbolismo. E uma imagem – um símbolo – vale mais do que mil palavras, certo?

Enquanto um texto expositivo (como este) consegue trabalhar com algumas poucas camadas de significados, um símbolo é capaz de transmitir inúmeras ideias ao mesmo tempo. Um cachorro, por exemplo, pode representar um bicho de estimação – mas também pode simbolizar as amizades, o apego, o medo, a hesitação, a irracionalidade, a preocupação, aquilo que tentará te impedir (sem maldade) de avançar no seu caminho, entre tantas outras coisas.

… E o que isso tudo tem a ver com o que estávamos falando? O que tem a ver com a loucura?

Bom, uma vez que o Tarô faz uso de símbolos para transmitir conhecimento, ele se mostra, antes de mais nada, uma excelente ferramenta para desenvolvermos nossa intuição. Investigando-o, acabamos por trabalhar com outras áreas da nossa mente, além do racional.

loucoAlém disso, sendo um pouco mais específico, no Tarô existe uma carta chamada O Louco. O Louco que, como pode ver na imagem ao lado, é um andarilho, carregando uma trouxa (ou seja: ele só carrega consigo o que é essencial para a sua jornada, deixando todos os excessos para trás). Ele acabou de sair de uma caverna, vista ao fundo (caverna que representa um mundo antigo, ilusório, aprisionador – qualquer semelhança com a caverna de Platão não é mera coincidência). E está se preparando para saltar de um penhasco, um abismo.

… É o Salto da Fé.

Quem está de fora, observando esse avanço (os amigos, as pessoas ainda apegadas àquela caverna, ao velho mundinho quadrado – simbolizadas, aqui, pelo cachorro), tenta agarrar suas pernas, impedi-lo. Julga que ele é um… Louco por fazer o que está fazendo…

… Por acreditar no que ele acredita. Por sentir o que ele sente.

Louco isso, não?

O arquétipo retratado nesta carta, portanto, é o daquele ser que alcançou um novo patamar de consciência, enxergando além. Alguém que está pronto para dar o Salto da Fé, pulando no Abismo do Conhecimento. Ele é o sopro de vida para uma nova criação (e tudo o que é novo há de enfrentar a resistência do que já está estabelecido).

Agora, veja bem: eu não estou falando (só) sobre espiritualidade aqui. Toda e qualquer forma de expressão artística, por exemplo, se utiliza de outros meios para criar e materializar uma obra, fugindo do monopólio da razão.

… E vou além: não é uma questão de um OU outro. É uma questão de um E outro, juntos.

É uma questão de integração.

Integração do nosso Pensar com o Sentir, para então despertar o verdadeiro Querer.

 

Pensar, Sentir e Querer

Segundo a Antroposofia, a dimensão do Pensar está associada ao cérebro, a sede da nossa consciência. É o uso da razão; do pensamento lógico, linguístico, analítico, estratégico, associativo, que identifica e estabelece padrões. É, como já disse acima, a maneira que julgamos mais óbvia de encontrar respostas, de fazer descobertas. O nosso Pensar se ancora no passado, trabalhando com conceitos pré-existentes, com os nossos repertórios e modelos mentais.

A energia do Sentir, por sua vez, advém do sistema rítmico, composto por pulmões, coração e sistema circulatório. O Sentir é o caminho do Coração. Ele estabelece a ponte entre o Pensar (a cabeça) e o Querer (mãos, pernas, músculos). Nesta dimensão, penetramos mais fundo nas experiências, no nosso contato com o mundo. Estamos falando das emoções, dos sentimentos, aqui. E da polaridade entre a simpatia e a antipatia (que são inevitáveis, imediatos e irracionais). Por exemplo: uma simples combinação de palavras e sentimentos (formando um elogio ou uma censura) pode fazer com que sintamos mais ou menos afinidade com alguém. Em muitos casos, isso pode, inclusive, mudar completamente o nosso estado de espírito. O nosso sistema rítmico se altera: a respiração fica mais ou menos ofegante, o sangue flui mais ou menos depressa.

E é o nosso Sentir que está tão apagado ultimamente. É o nosso Sentir que acabou sendo desacreditado, ignorado, deixado de lado, para focarmos em conhecimentos mais técnicos e científicos (Pensar). É a ausência de Sentir que nos conduz para uma vida entediante, sem… sentido! Sem Sentir, fazemos as coisas de forma mecânica, pulando do Pensar direto para o Querer.

… Um Querer, claro, igualmente esvaziado.

A dimensão do Querer tem a ver com o sistema metabólico e locomotor. Nesse sistema estão sediadas as forças de transformação energéticas do nosso corpo (o processo digestivo é um belo exemplo disso, ao gerar um enorme potencial energético com base na desintegração e processamento de substâncias). É ele que coloca o nosso Pensar em ação, através dos músculos, pernas, mãos e outros movimentos.

pendurado

… E o que o nosso amigo Tarô (e seus símbolos) tem a dizer sobre essa conexão direta entre o Pensar e o Querer?

Quando olhamos o caminho que interliga o Pensar e o Querer (na Árvore da Vida), nos deparamos com… O Pendurado!

O Pendurado que representa o quê?

… Uma energia parada. Uma energia que não está sendo movimentada, que não sai do lugar (nota alguma semelhança com ficar dando voltas num labirinto?).

Ele tinha tudo para ser O Imperador (outra carta do Tarô, representada pelo número 4 – e, não por acaso, vemos um 4 sendo formado pelas pernas do Pendurado, sim?), mas ele não age. Ou, até age, porém sem eficácia. Age só por agir. Sem sentido. Pulando do Pensar direto para o Querer.

… Age ignorando o tal fio invisível, a essência.

 

Campo de Experiência 1

Como, então, podemos saber que o fio existe? Que ele está lá, mesmo sendo invisível?

… Sentindo mais.

E, para tanto, buscando ferramentas que exercitem mais esse lado. Que desenvolvam as nossas capacidades imaginativas, intuitivas, criativas…

Na Astrologia – que trabalha com símbolos energéticos, muito mais do que com tentativas de definir estaticamente algo –, quando procuramos dicas a respeito desse fio, de entender o caminho para a nossa essência, invariavelmente observamos a 1ª Casa (ou, como eu gosto de chamar, o Campo de Experiência 1).

O nosso Mapa Astral não fornece fórmulas mágicas ou respostas prontas. Ele nos dá pistas dos nossos potenciais, do que temos à disposição em nossos interiores (um desenho do nosso labirinto). Não adianta, portanto, lermos o Mapa e nos contentarmos em racionalizá-lo, querendo mudar, assim, nossas ações. É preciso senti-lo, sim. Experimentá-lo, desfrutá-lo.

… Até porque, o nosso Mapa é a combinação de várias energias, descritas de forma fracionada.

No meu Mapa, por exemplo, o Sol está em Aquário, no Campo de Experiência 4. Porém, essa energia está integrada com a de todos os demais Planetas e Campos. Meu Sol em Aquário é um Sol de quem tem, também, uma Lua em Peixes e um Júpiter em Capricórnio. Não adianta lermos todas essas informações de forma separada: é preciso unificá-las.

Agora, é preciso começar a leitura por algum lugar. E eu começo pelo Campo de Experiência 1 (jura?). Porque, para mim, eis o jeito mais simples de integrar, sem grandes quebra-cabeças, e de maneira profunda, todas as energias descritas em um Mapa.

… Se queremos entender mais sobre esse labirinto no qual nos metemos, nada melhor do que procurarmos sentir o nosso fio invisível, certo?

 

E Quais são as Dicas fornecidas pelo CE1?

Temos de nos atentar para três tipos de informação, quando trabalhamos com a ferramenta dos Campos de Experiência para Manifestação e Desenvolvimento do Eu:

  1. Signo da Cúspide
  2. Planeta Regente
  3. Planetas no CE

Por mais que os tópicos sejam os mesmos, o significado de cada um deles irá variar de acordo com o Campo em que estivermos focados.

No CE1, nosso foco atual, o Signo da Cúspide nos mostra o caminho, a atitude básica ideal, para desenvolvermos a nossa individualidade e buscarmos mais autoconhecimento.

… Espera aí: mas o que significa Signo da Cúspide?

casa1

Ops, voltando um pouco… A Cúspide é a linha que marca o início de um Campo de Experiência (uma Casa). Na imagem ao lado, a Cúspide é essa grande seta, na cor preta, apontando para a esquerda. No Caso do CE1, a Cúspide é (nada mais, nada menos do que) aquilo que chamamos normalmente de Ascendente.

Portanto, o Signo da Cúspide do CE1 é o Signo em que está o nosso Ascendente (o Signo que estava se erguendo no horizonte, no momento do nosso nascimento).

Tomando como exemplo o meu próprio Mapa, encontramos o Ascendente no Signo de Libra (que, na imagem, é o símbolo, na área azul-clara, que lembra uma ferradura, uma balança).

Libra, hum… E quais são as características da energia libriana? Eis um Signo voltado para relacionamentos, parcerias e metas sociais. Detém uma habilidade inata para a diplomacia, a negociação e a criação de harmonia, equilíbrio. Esta energia valoriza os princípios da justiça e da equidade, tendo bastante interesse em favorecer que as pessoas funcionem em conjunto e sem atritos.

… Ou seja, com base nisso, podemos interpretar que a melhor maneira para que eu encontre a minha essência – para que eu entenda o que me distingue dos outros – será através das relações sociais que estabeleço. Que, como numa balança, ao buscar ajudar os outros a se equilibrarem, eu me equilibrarei (por que será que estou aqui, escrevendo este artigo?).

Falando de forma bem simplificada (que é o que dá para fazermos aqui, em poucas linhas), o meu caminho para o autoconhecimento passa pelo cultivo da equidade, da justiça, da harmonia, dentro e fora.

 

Planeta Regente

A próxima informação (complementar, sim?) que levamos em consideração é o Planeta Regente do Signo da Cúspide.

Planeta Regente, como o próprio termo já diz, é o Planeta que rege um determinado Signo. Na Astrologia, cada Signo é governado por um (ou dois, em alguns casos) Planeta. No exemplo que dei, do meu Mapa, como estamos falando do Signo de Libra, o Planeta Regente é Vênus.

Vênus que, por isso, ganha o título honorário de Regente do Mapa.

… O que significa dizer que ele, de certo modo, é o líder energético aqui dentro de mim.

Pois é… Está aí uma energia (e Vênus lida com os valores, com o amor, as afetividades, o Sentir, as preferências estéticas, entre outras coisas mais) para na qual eu devo prestar bastante atenção. Eis a energia que potencializa o controle e a unificação da minha individualidade (ego).

harmony-1229893_1920O meu Vênus, estando em Peixes, no CE6, indica que posso contar com a minha imaginação, meu lado mais artístico, mais sensível e espiritualizado, trabalhando pesado para superar crises, me aprimorar e caminhar adiante no labirinto da vida.

(E, de novo, por que será que estou falando tanto sobre sentido aqui, hã?).

 

Planetas no CE1

Por fim, mas não menos importante, integramos a tudo isso os Planetas que, por ventura, estejam posicionados dentro do Campo de Experiência 1.

Não há problema algum, caso não exista nenhum Planeta no interior do CE1. Isso significa que o manda-chuva da região é mesmo o Planeta Regente.

Agora, se houver um ou mais Planetas aqui localizados, a responsabilidade passa a ser dividida… Outras energias entram no jogo, para ajudar (ou atrapalhar, dependendo de como escolheremos utilizá-las, sempre).

Todo e qualquer planeta nesta posição torna-se quase um Primeiro Ministro do Mapa. Ele – ou eles – nos mostra a melhor energia para descobrirmos e manifestarmos a nossa essência.

Eu, por exemplo, tenho Plutão, em Escorpião, dentro do CE1. Ou seja: minha busca essencial envolve lidar com grandes transformações, trazendo à tona grandes questões, lá das profundezas (do inconsciente). O uso dos poderes que me cabem, revelam bastante sobre o meu Eu.

(E, sendo assim, dá para compreender que o foco do meu trabalho de Coaching, nas grandes questões, não aconteceu por acaso).

 

CE2 – Quais São os Meus Talentos?

E, bom, de forma geral (e, insisto, bem simplificada), eis as belas dicas ofertadas pela observação atenta do CE1. Eis as chaves fornecidas pela Astrologia para descobrirmos o valioso tesouro do… Quem sou eu?

… Agora, o que você fará com isso, é uma escolha sua.

Cabe a você explorar seu próprio Mapa e procurar entender, à sua maneira, tais pistas. E usufruir delas.

… E começar a sentir o fio invisível, dando novos sentidos para este enorme labirinto…

E, no próximo artigo, falarei um pouco mais sobre o Campo de Experiência 2 e as seguintes grandes questões:

  • Quais são os meus talentos?
  • Como utilizar o que tenho?
  • O que eu herdei?
  • O que tenho à disposição naturalmente?

Então, até a próxima!

 

Lucas M Esher

 

P.S.: ah, e não custa nada dizer: se tiver alguma dúvida, sinta-se à vontade para entrar em contato, para deixar um comentário. Será bem bacana te escutar e saber o que está achando desta série de artigos…

2 thoughts on “PRIMEIRO PASSO: COMO ME DISTINGUIR DOS OUTROS?

  1. Boa noite, Lucas! Estou achando incrível o seu trabalho até aqui! Não há muito material sobre esse tema, que me instiga de uns meses para cá. Como sou uma gestora que utiliza a astrologia no dia a dia junto à equipe, clientes, etc, tenho pensado bastante em unir meus conhecimentos em coach e em astrologia para auxiliar mais pessoas a viverem vidas mais plenas e mais conectadas ao seu propósito. Seu site foi um achado nesse momento! Gratidão por compartilhar seus conhecimentos e percepções! Estarei acompanhando daqui!

    1. Oi, Lorena! Que bacana saber que você utiliza a Astrologia no seu trabalho e que também pensa em explorar esse outro lado. Acredito realmente que essas ferramentas podem colaborar (e muito!) nessa busca por uma vida com mais sentido, com cada um respeitando (e desenvolvendo, criando) o seu próprio propósito. E obrigado pelas palavras! Fico feliz que esteja gostando do material. Ainda virá muito mais pela frente, pode ter certeza…

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